Cultura Empresarial

Antes de entrarmos no tema empresa, vamos primeiro falar sobre o que é cultura.

Segundo o dicionário Dicio, cultura é:

substantivo feminino
 Conjunto das estruturas sociais, religiosas etc., das manifestações intelectuais, artísticas etc., que caracteriza uma sociedade, diferenciando-a de outras: a cultura inca; a cultura helenística.
 Conjunto dos conhecimentos adquiridos; instrução: sujeito sem cultura.

Ou seja aquilo que define o coletivo, pelo coletivo (o que o coletivo faz, como se comporta, a soma das partes que transformam o coletivo no que ele é).

Mas e quando falamos de Cultura Empresarial?


Podemos afirmar que cultura NÃO é aquilo que está escrito nos quadros pendurados nas paredes das empresas (hoje são frases e desenhos pintados nas paredes de maneira 'descolada'), descrevendo missão, visão, valores e tentando traduzir isso em cultura.

Comumente essas definições são criadas pela gestão da empresa durante um seminário ou treinamento oferecido por uma consultoria. E talvez a principal armadilha aqui seja: as pessoas envolvidas nesse processo tentam traduzir como a empresa deveria ser. E entre como deveria ser e como realmente é existe um abismo. Essa metodologia não é de toda inválida, se fossem feitos trabalhos continuados e acompanhados para transformar a cultura da empresa naquilo que se espera que ela fosse. Em algumas delas isso não acontece.

Em suma a cultura é o resultado dos comportamentos das pessoas.

Uma definição interessante de cultura é dada pelo CEO da Trigo, Tom Leite, em um episódio sobre Cultura no podcast 'O Conselho' do empresário Flávio Augusto:

"Cultura é tudo aquilo que acontece quando a liderança não está presente".

Outra definição é do Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multi (antiga Multilaser), comentada no mesmo podcast que traduz a real cultura de uma empresa como:

"...o que não se pode fazer na empresa de jeito nenhum e como fazer pra ser promovido..."

Trazendo para algo mais tangível, na parede pode estar escrito que todos ali são líderes servidores, mas no dia a dia agirem como Senhores Feudais, cada um esperando que seus servos façam algo. Trecho pesado, mas uma maneira direta de clarificar algo que as vezes é tão subjetivo ou até mesmo relativizado.

Já nas empresas onde a Cultura é algo levado a sério, o desafio diário é de fato fazer com que o coletivo atue de acordo com o que se espera dele.

E quem são os responsáveis por fazer a cultura o que ela é?

Todas as pessoas da empresa! 


Isso é clichê, mas não deixa de ser verdade.

Ainda assim, tem uma pessoa que deve ser a guardiã dessa cultura, e essa figura é quem ocupa o cargo de Presidência da empresa. Isso se dá pela máxima que diz: "...o exemplo arrasta!". Ou seja, além de discursar sobre a cultura organizacional, ela precisa agir de acordo e influenciar para que todos da empresa hajam da mesma maneira.

O que faz uma empresa ter uma cultura onde as pessoas colaboram entre si? A pessoa que ocupa a cadeira da presidência ensinar, viver e defender que isso seja uma realidade na empresa. Incentivando a colaboração e abominando a falta dela. E esse comportamento deve ser estendido para todas as outras características que se espera que seja a cultura da empresa, permeando pela alta gestão, até chegar em todos os níveis da organização.

Ainda usando o exemplo da colaboração, uma empresa com uma cultura saudável, não necessariamente é um lugar onde existe colaboração.

Mas como assim?


Uma empresa com uma cultura saudável é aquela que vive o que as pessoas pregam, podendo ser esse até um ambiente hostil. Desde que isso seja declarado. Pois, tem pessoas que gostam de atuar em ambientes assim, onde há competição entre os próprios colaboradores e talvez pouca colaboração. É mais sobre viver o que se prega, do que pregar algo que não se vive.

Descubra qual a cultura organizacional que você busca viver, então encontre pessoas que vivam essa cultura em uma empresa. Se for possível para você (grande parte das pessoas não podem escolher onde querem trabalhar), pergunte como é a cultura para uma pessoa sincera que já trabalha onde você quer trabalhar antes de se candidatar.

Uma vez que você encontre a cultura ideial, seja um multiplicador dessa cultura!